RPM


Rádio Pirata ao Vivo é o segundo álbum da banda de rock brasileira RPM, lançado em 1986. É um dos discos mais vendidos da história da indústria fonográfica do Brasil, com 2,5 milhões de cópias vendidas.

Gravado no Pavilhão de Exposições do Complexo do Anhembi, em São Paulo, o show, com direção do cantor Ney Matogrosso, traz grandes sucessos, como Revoluções Por Minuto, Rádio Pirata, Olhar 43 e as então inéditas Naja (instrumental baseado nos teclados de Luiz Schiavon) e Alvorada Voraz, além das regravações de London, London (de Caetano Veloso) e de Flores Astrais (do grupo Secos & Molhados, do qual Ney Matogrosso fez parte)...

Apesar de ter sido posteriormente remasterizado e relançado em CD nos anos 90, o disco foi relançado com nova remasterização no box Revolução: 25 Anos (2008), que inclui também as reedições dos discos Revoluções Por Minuto e Os Quatro Coiotes, além de um CD com raridades e canções inéditas e de um DVD com o registro do vídeo Rádio Pirata - O Show, originalmente lançado em VHS em 1987 a partir de um show realizado no Ginásio do Ibirapuera, em Dezembro de 1986. Em 2011, a sua edição em DVD foi certificada como disco de ouro pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD).

Tudo começou em 1980, em São Paulo, quando Paulo Ricardo namorava Eloá, que morava em frente à casa onde Luiz Schiavon ensaiava com May East. O casal resolveu um dia visitar os vizinhos, que estavam num ensaio crucial que decidiam entre cantar em inglês ou português. Paulo Ricardo deu seu voto, opinando pelas letras em português e assim conheceu Luiz Schiavon. Neste dia conversaram muito sobre música. Paulo estava começando sua carreira como crítico musical e Schiavon era um pianista clássico, que buscava um novo caminho, mais popular, mas sentiu dificuldade em encontrar alguém. Foi assim que Paulo recebeu o convite para integrar o "Aura", uma banda de jazz-rock que ainda tinha Paulinho Valenza na bateria. Depois de três anos de ensaios e nenhum show, Luiz encantou-se pela música eletrônica e pela tecnologia de novos sintetizadores, enquanto Paulo decidiu morar na Europa – primeiro na França e depois em Londres, de onde escrevia sobre novidades musicais para a revista Somtrês e se correspondia com freqüência com Schiavon. Este choque de personalidades impulsionou a criação do RPM depois que o trabalho da dupla foi retomado em fins de 1983, já em São Paulo.

Juntos, criaram as primeiras canções. As primeiras foram "Olhar 43", "A Cruz e A Espada" e a música que batizara a banda que ali nascia: "Revoluções por Minuto". Gravaram uma fita demo destas músicas com uma bateria eletrônica e encaminharam à gravadora CBS, que considerou-as ambíguas e difíceis de tocar nas rádios.

O nome 45 RPM (45 rotações por minuto) foi sugerido inicialmente em uma lista de nomes feita por uma amiga. Schiavon e Paulo gostaram do nome, mas tiraram o 45 e mudaram o Rotações por Revoluções. Convidaram o guitarrista Fernando Deluqui (ex-guitarrista da cantora May East, ex-integrante da Gang 90 e as Absurdettes) e o baterista Junior Moreno, na época com apenas 15 anos e impedido de fazer futuras excursões com a banda. Posteriormente, devido aos estudos abriu mão das baquetas sendo substituído por Charles Gavin (ex-Ira!, futuro baterista dos Titãs) para completar o grupo. Já batizados de RPM, conseguiram um contrato com a gravadora Sony Music, com o compacto de 1984, que viria com as faixas "Louras Geladas" (a música virou um hit das danceterias e das paradas de sucesso das rádios) e "Revoluções por Minuto" (que foi censurada na época). "Louras Geladas" caiu no gosto do público de todo o país e levou a banda a gravar o seu álbum de estreia, já com o baterista Paulo P.A. Pagni (ex-Patife Band), que entrou para o RPM como convidado, no meio da gravação do LP, o que explica a sua ausência na capa do disco "Revoluções Por Minuto". Charles Gavin havia saído do grupo para se integrar aos Titãs.


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