IRA!


Vivendo e Não Aprendendo é um álbum da banda de rock brasileira Ira!, lançado pela WEA em agosto de 1986. O álbum foi gravado entre maio e junho de 1986, no estúdio Nas Nuvens, (Rio de Janeiro) e as faixas 9 e 10 gravadas ao vivo na Brodway, em (São Paulo) em 3 de maio de 1986. Posteriormente, em dezembro de 2000, foi remasterizado e lançado em CD (foi a 2ª edição do disco no referido formato). Na época, era vendido por 85,00 Cz$ (cruzados). Este álbum entrou na lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. ficando na 94ª posição. Considerado por muitos fãs como seu melhor álbum, e também por especialistas como o melhor álbum nacional dos anos 80 (por conter muitas faixas que se tornariam grandes sucessos), Vivendo e Não Aprendendo era o mais famoso e o também o mais bem sucedido comercialmente disco da banda até o lançamento do Acústico MTV em 2004.

O disco de 1986, segundo o jornalista Ricardo Alexandre em seu livro Dias de Luta (cujo nome foi tirado, obviamente, de um dos sucessos deste álbum), vendeu 180 mil exemplares à época de seu lançamento, apesar de outras fontes divergirem quanto à isto (estimando as vendagens entre 150 e 250 mil cópias). Por mais de dez anos, foi o único álbum do Ira! a ter alcançado o status de disco de ouro...

O Ira! não teve relação fácil com o produtor Liminha durante as gravações do seu segundo disco, no Rio de Janeiro. O grupo desejava para o álbum um padrão sonoro que lembrasse o do conjunto inglês The Jam, uma de suas mais notórias influências, porém Liminha julgava como "desafinada" a sonoridade que Edgard Scandurra e cia. queriam como referência. A relação entre banda e produtor se tornou tão tensa que foi preciso transferir os trabalhos restantes de gravação e a mixagem para São Paulo.
"Gritos na Multidão" e "Pobre Paulista", gravadas para o obscuro compacto de estréia da banda em 1984, foram finalmente lançadas em Vivendo e Não Aprendendo, porém, em versões gravadas durante um show. A WEA tinha pretensões de lançar ambas como músicas de trabalho do disco, e pediu para que o grupo as regravasse. O Ira! recusou a fazê-lo, inicialmente, mas acabou por registrá-las, só que não em estúdio. O argumento era de que não seria possível fazer playback, recurso muito usual em programas televisivos da época, de canções que eram registradas ao vivo. Uma demo de "Pobre Paulista" aparece como faixa bônus da segunda edição em CD do álbum, lançada em 2000.

O show do lançamento do LP se deu em uma efusiva apresentação na Praça do Relógio, no campus da USP em 11 de Outubro de 1986 (citado como um dos cem melhores shows já feitos no Brasil em uma edição especial da revista Bizz, em 2005), diante de uma platéia estimada em 40 mil pessoas. Entre elas, estavam Renato Russo, lider da Legião Urbana e Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, artistas da mesma geração do Ira!. O êxito do disco é atribuído a três faixas: "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta" e, especialmente, "Flores em Você". Construída a partir de um arranjo de um quarteto de cordas e um violão tocado por Edgard acompanhando o vocal de Nasi, foi tema de abertura da novela global O Outro, tendo sido uma das canções mais executadas nas rádios brasileiras no período entre 1986 e 1987. "Flores em Você" tem um arranjo altamente influenciado por "Eleanor Rigby" dos Beatles e por "Smithers-Jones" do The Jam.

Ficou célebre, neste período, o boicote do grupo ao especial de Natal de 1986 do programa Cassino do Chacrinha. Na época, Vivendo e Não Aprendendo já estáva atingindo a marca de 100 mil cópias vendidas, devido aos sucessos de "Envelheço na Cidade" e "Dias de Luta", e a banda foi convidada para fazer um playback usando famigerados gorros de Papai Noel. Em sua biografia A Ira de Nasi, lançada em 2012, o vocalista comenta que a gota d'água pra banda recusar de participar no especial, foi ver o cantor romântico Byafra tomando uma bronca de Chacrinha, porque durante sua aparição no programa, o crooner tirou o gorrinho da cabeça. No programa também participaram as bandas Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, entre outros artistas. Também houve a polêmica apresentação feita na primeira edição do festival Hollywood Rock, na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, em 6 de Janeiro de 1988.

Quando chegou ao Rio, o Ira! se prepararia para ensaiar no estúdio Nas Nuvens (que era de propriedade de Liminha, o desafeto da banda àquela época), porém os componentes perceberam que os Titãs, escalados para tocar no mesmo dia, já ocupavam o local, o que já deixou a banda com sinais de nervosismo, fator que lhes acompanharia ao longo do espetáculo (iniciado com 35 minutos de atraso). A pouca receptividade do público, os problemas relacionados ao retorno de som e o custo caro do ingresso (avaliado em mil cruzeiros - Cz$ 1 mil, quase um quarto do salário mínimo vigente na época) também atrapalharam o desempenho do Ira! no palco. A situação piorou quando os amplificadores foram desligados antes de a banda executar "Pobre Paulista", que costumava ser a música de encerramento de seus shows. Edgard, raivoso, destruiu a própria guitarra diante da platéia e o camarim foi devastado por todos os integrantes. Até à sua aparição na terceira edição do Rock In Rio, ocorrida em 2001, essa seria a última apresentação do Ira! em um grande festival de música.


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